Bem Vindo

Neste portal reúno alguns poemas que conjeturo serem interessantes a leitura para ruminação introjetória.

domingo, 11 de abril de 2010

As Pessoas do Pessoa

Não sei quem sou, que alma tenho.
Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.
Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)...
Sinto crenças que não tenho.
Enlevam-me ânsias que repudio.
A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me ponta
traições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,
nem ela julga que eu tenho.
Sinto-me múltiplo.
Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos
que torcem para reflexões falsas
uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.
Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,
eu sinto-me vários seres.
Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,
como se o meu ser participasse de todos os homens,
incompletamente de cada (?),
por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."

Fernando Pessoa

3 comentários:

Blog_Wilber disse...

As divagações poéticas condensam a alma e renovam o espírito.

Blog_Wilber disse...

Admiro o Fernando Pessoa, por sua capacidade de expor em seus poemas naturalmente subjetivos, uma íncrivel autenticidade revelada de sentidos e sentimentos que o perpassam.

Conexão da Graça disse...

Wilber, o Pessoa é um Poeta Profeta.
Sua subjetividade, revela sua intrínseca humanidade acessível a todos que é divorciada do pensamento frio e calculista dos pragmáticos dissecadores da razão.
Sua sensibilidade vaza pelos poros como perfume agradável de se sentir.

Um abração, Franklin Rosa